Brincar tem tudo a ver com diversão! Qualquer atividade, organizada ou não estruturada, que seu filho ache divertida e agradável é considerada uma brincadeira. Mas brincar é muito mais do que uma atividade divertida para o seu filho! À medida que a criança cresce, ela passa por diferentes estágios de desenvolvimento da brincadeira.

Ter isso em mente é importante porque nos ajuda a alinhar expectativas em relação ao que esperar da criança. Por exemplo, não adianta demandar a uma criança de 2 anos compartilhe o brinquedo com o amiguinho, pois como ainda é egocêntrica (ver as coisas sob sua perspectiva apenas) é algo difícil para ela.  Mas não só isso, muitos pais acabam ficando angustiados e preocupados tentando entender porque o filho não quer brincar com os amiguinhos.

Existem 6 estágios do brincar durante a primeira infância, os quais são importantes para o desenvolvimento de seu filho. Todas essas fases do brincar envolvem explorar, ser criativo e se divertir. Esta lista explica como o brincar das crianças muda com a idade à medida que crescem e desenvolvem habilidades sociais.

O brincar despreocupado (nascimento – 3 meses)

O brincar despreocupado refere-se à atividade em que uma criança parece realmente não estar brincando. Elas podem estar envolvidas em movimentos aparentemente aleatórios, sem objetivo. Apesar das aparências, isso definitivamente é uma brincadeira e prepara o terreno para a exploração futura do brincar. Nessa fase, o bebê está apenas fazendo muitos movimentos com os braços, pernas, mãos, pés, etc. É assim que vão aprendendo e descobrindo como seu corpo se move.

O brincar solitário (3 meses aos 2 anos)

Brincadeiras solitárias são exatamente o que parecem – quando seu filho brinca sozinho. Esse tipo de brincadeira é importante porque ensina a criança a se manter entretida, estabelecendo o caminho para a autossuficiência. Qualquer criança pode brincar sozinha, mas esse tipo de brincadeira é o mais comum em crianças menores de 2 ou 3 anos. Nessa idade, elas ainda são bastante egocêntricas e não têm boas habilidades de comunicação. Se uma criança é tímida e não conhece bem seus colegas, ela pode preferir esse tipo de brincar.

Yara de 1 ano e 10 meses, brincando com o carrinho de bonecas e o berço de bonecas.

O brincar espectador (2 anos)

O brincar espectador acontece quando a criança simplesmente observa outras crianças brincando e não participa da ação. É comum para crianças pequenas que estão com seu vocabulário em desenvolvimento. Não se preocupe se seu filho estiver se comportando dessa maneira. Pode ser que ele seja um pouco mais tímido, precise aprender as regras, ou talvez seja o mais novo do grupo e queira apenas observar um pouco mais antes de optar pela brincadeira em grupo.

Bella de 3 anos e Yara de 1 ano e 10 meses, brincando com a mini cozinha.

O brincar paralelo (2+ anos)

Coloque duas crianças de um pouco mais de 2 anos juntas em uma sala e é isso que você provavelmente verá: as duas crianças se divertindo, brincando lado a lado em seu mundinho. Isso não significa que elas não gostem uma da outra, elas estão apenas envolvidas em brincadeiras paralelas.

Apesar de ter pouco contato social entre colegas de brincadeira, as crianças que brincam paralelamente, na verdade, aprendem um pouco umas com as outras. Embora pareça que não estão prestando atenção uma na outra, elas realmente estão e muitas vezes imitam o comportamento da outra. Como tal, este tipo de brincadeira é vista como uma ponte importante para as fases posteriores do brincar.

O brincar associado (3-4 anos)

Essa fase se caracteriza pelo momento no qual a criança começa a interagir com outras pessoas durante a brincadeira, mas não há uma grande interação nesta fase. Uma criança pode estar realizando uma atividade relacionada às crianças ao seu redor, mas pode não estar realmente interagindo com outra criança. Por exemplo, as crianças podem estar brincando no mesmo equipamento de playground, mas todas fazendo coisas diferentes, como escalar, balançar, etc.

O brincar cooperativo (4+ anos)

É no brincar cooperativo que todos os estágios se unem e as crianças realmente começam a brincar juntas. É nesse momento que criança passa a brincar juntas com outras crianças e pessoas e tem interesse tanto na atividade quanto nas crianças envolvidas na brincadeira, participando mais ativamente e de forma cooperativa com elas.

Bella de 3 anos e Gael de 3 anos brincando com a motoneta.

Enfim, o brincar começa quando somos bebês, mas não pára por aí!  Dar lugar e tempo para o brincar na rotina de seu filho, é importante para o seu desenvolvimento em todas essas fases. Esses estágios são diretrizes gerais sobre o que esperar das habilidades lúdicas de seu filho, mas lembre-se de que cada criança é diferente e se você tiver dúvidas, converse com um especialista que entenda de desenvolvimento infantil.

Monica Pessanha é psicanalista de crianças, adolescentes e mães, palestrante, coautora do livro EDUCANDO FILHOS PARA A VIDA e colunista na revista CRESCER. Mãe da Melissa, uma menina que ama ler. É o tipo de mãe que acredita que enquanto os filhos crescem, nós crescemos também.