Estamos vivendo uma pandemia mundial histórica e para a nossa realidade brasileira, ainda somamos às crises ambientais, políticas e econômicas.
As crises já existiam, mas com o Covid-19 ela entrou sem pedir licença em nossas casas, causando bagunça e muitas crises internas. Chegamos a considerar ser uma visita desagradável e perigosa que logo iria partir. Só que não. Mais de seis meses de pandemia e a sensação é de que perdemos o ano e muitos de nós passamos boa parte dele trancados em nossas casas tendo que lidar com diversas crises internas. É preciso encará-las e arrumar a bagunça. Falando assim, parece fácil mas sabemos que não, principalmente quando há crianças no meio disso tudo.

Nossos pequenos cidadãos merecem atenção mais do que especial neste momento tão atípico. Afinal, as crianças estão em plena fase de desenvolvimento físico, emocional e mental. Como lidar com a ansiedade das crianças nessa quarentena tão prolongada? Como lidar com o ócio, a ausência do convívio social, principalmente com os avós?

O pediatra e sanitarista, Daniel Becker, nos traz alguns caminhos para responder tais questões. Pioneiro em pediatria integral, Daniel Becker acredita que assegurarmos o Bem Estar da criança é garantir um lar saudável e harmônico para todos. O cuidado constante e medidas preventivas são fundamentais, Fala o Doutor, que sugere que nós adultos coloquemos as crianças a par da situação que estamos vivendo contando-lhes uma história lúdica, trazendo para a fantasia da criança a realidade.

O doutor reforça que através de uma história podemos criar um sentimento de confiança com a criança, ao invés de alimentar o sentimento de desespero. Para uma criança, pode ser desesperador saber que há um vírus que facilmente mata as pessoas. Isso pode lhe causar pânico, ansiedade, angústia, tristezas, enfim, uma série de sentimentos negativos. Entretanto, ao contar uma história onde nós precisamos nos proteger em nossos castelos, enquanto nossos heróis estão lutando contra os monstros, traz uma perspectiva mais otimista, pautada na ação e na força coletiva.

Sabemos que para todos nós está difícil atravessar essa pandemia que se estende e a cada dia o futuro nos parece mais duvidoso. A crise global que entrou em nossas casas bagunçando tudo, trouxe também ansiedade, angústia, crises nas profissões, nas relações. O caos!
É preciso estar atento e forte, já dizia a canção. Daniel Becker ressalta que devemos considerar que para as crianças é muito mais difícil a falta de contato com a natureza, com a rua, a ausência de convívio social, o contato restrito com os avós. As crianças dificilmente vão verbalizar seus sentimentos. Eles serão expressos num choro, num cansaço, numa teimosia, em resistir para dormir, em não querer escovar os dentes ou não querer comer, fazer xixi na cama, entre outras atitudes que demandam mais ainda atenção e paciência dos adultos.

Para o pediatra, é de suma importância que a criança possa expressar o que sente no conforto do seu lar e que seus sentimentos sejam acolhidos e respeitados pelos adultos, que têm a função de ajudar as crianças a reconhecerem seus sentimentos e não menosprezá-los, pois eles são legítimos.

Daniel Becker defende que devemos dizer aos nosso pequenos cidadãos que é permitido Sentir e acolhê-los, pois assim construímos nossas relações pautada na confiança e nossos pequenos cidadãos crescem fortes e atentos para lidar com todas as crises que enfrentará na vida.

Maíra Castanheiro
Sou Escritora, Historiadora e tradutora. Aprendiz de jardineira Waldorf. Mãe de Mariaalice, que além de me ter feito mãe, me impulsionou a publicar meu primeiro livro: Para Maria Alice.
Em breve mais livros e mais livre.

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