Nossa pediatra disse que o segundo filho é a sobremesa e até que tem um sentido né, não que o filho 1 tenha sido o prato principal mas com certeza foi tudo mais preocupante, mais desesperado, mais medroso e mais doloridos. Já na filha 2 parece que tá mais leve, me sinto mais confiante do meu potencial de criador e da pra aproveitar sem medo.

Se bem que DO NADA minha insegurança me manda SMS comparando como fui mais intenso e mais dedicado ao primeiro e que na segunda, parece que não da mais tempo de curtir tanto. Isso é ruim, parece que o tempo infinito que dividi com meu filho, simplesmente não existe para minha filha. Na real é que agora o tempo é dividido por dois e tenho que aceitar que tá tudo bem, ela já nasceu com mais uma criança em casa e ela não vai ter minha primeira paternidade para comparar, ela só vai conhecer essa versão de mim e dividindo o tempo com o irmão sim. Porque ele também sente falta de ter atenção total.

Paternar duas crianças é escrever textos pela madrugada a fora, pois o tempo livre durante o dia vale a pena guardar para ir ao banheiro, minha segunda chance de paternar me deixa mais cansado fisicamente, mas sem tantos medos. Hoje a vida tá curta demais para seguir os manuais que segui no primeiro.

Só finalizar com uma historinha real de quando eu era pequeno, lembro-me dos álbuns de fotos da minha família e meu irmão mais velho tinha por volta de quatro álbuns só dos primeiros anos dele, eu tive dois álbuns com fotos fofas e clássicas tipo segurando o telefone com fio lembram? Já meu irmão novo, coitado, não tem um álbum de fotos só dele, todos são divididos. Lembro que na época fiquei ofendidíssimo pensando que minha mãe gostava muito mais do primogênito, desculpa mãe eu era inocente demais. Alias, Te amo mãe, obrigado <3

Shamil Carlos é pai do Valentim e da Lola, companheiro da Priscila. “Correria total” na Mamahood e StayFreeBr. Vocalista do Horace Green, artista e colecionador de discos.